Ultimamente temos notado a falta de referenciais educacionais; de “mestres” que influenciem positivamente as gerações em sua trajetória de vida. Muitos pais não ensinam a Bíblia aos filhos e, em contrapartida, muitos filhos não vêem, nos seus pais, exemplos de vida cristã que mereçam ser imitados.
Um olhar para a história de Israel no Antigo Testamento nos mostra que a nação entrou em crise todas as vezes que abandonou as Escrituras. Em razão disso, Deus proferiu uma dura sentença: “O meu povo será levado cativo, por falta de entendimento; os seus nobres terão fome, e a sua multidão se secará de sede” (Is 5. 13). O afastamento das Escrituras produz uma reação em cadeia de pecado e escravidão que afeta a família e as gerações vindouras.
No judaísmo primitivo, a educação era um “produto do lar”, não se limitando ao espaço do templo ou da sinagoga; iniciava na família, abarcando todas as áreas da vida. Os educadores eram chamados de “sábios” (Pv 13. 14; 15. 7); os alunos eram chamados de “filhos” (1 Cr 25. 8; Pv 2. 1). A educação fluía mediante uma pedagogia de pai para filho; era muito mais através do exemplo do que pela transmissão de conhecimentos. O mestre era aquele que ensinava com sua própria vida.
As crianças deveriam conhecer os símbolos religiosos e seu significado. A páscoa é um exemplo: “Quando vossos filhos vos perguntarem: Que rito é este? Respondereis: É o sacrifício da páscoa ao Senhor” (Ex 12. 26,27).
Todas as vezes que os pais fossem questionados acerca da páscoa, teriam que recontar a história, em detalhes, para que seus filhos a aplicassem em suas vidas.
Salomão deixou-nos um paradigma educacional inquebrável: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho, não se desviará dele” (Pv 22. 6).
Em Pedagogia do Oprimido, Paulo Freire faz menção à práxis educacional e define a reflexão e ação como “momentos gêmeos”. Segundo ele, todo ensino teórico deve levar-nos a ações práticas de vida, sob pena de se tornar árido e irrelevante. Pela Graça Comum, Freire observou esta verdade que também integra o ensino das Escrituras.
A conexão entre teoria e prática fazia parte da educação judaica no Antigo Testamento. Israel orientava seus filhos através de uma didática retrogressiva, ensinando-os a olhar os exemplos do passado, sua historia de sucessos e fracassos, extraindo lições que norteassem seu futuro em uma perspectiva de acerto. Era uma educação centrada na vida – na pedagogia do exemplo.
Nossos filhos estão sempre atentos às nossas posturas e comportamentos. Nossas palavras e ações são registradas e processadas por eles, constituindo um currículo não escrito em livros e tratados de educação. Nossas palavras e ações os influencia por toda vida. Somos seus “grandes heróis”, mas podemos nos tornar seus “maiores vilões”.
Diante disso, cabe-nos fazer uma releitura do modelo educacional de Israel aplicando-o à nossa vida pessoal e familiar. Ressuscitar a pedagogia do exemplo é um dos grandes desafios para a família cristã de hoje.
Por Eurípedes da Conceição
O autor é pastor efetivo da Igreja Presbiteriana da Tijuca, Mestre em Educação Cristã pelo Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper, autor do livro “Ensinando Através do Caráter , Membro Titular da Academia Evangélica de Letras do Brasil e Professor da Disciplina de Liderança Cristã no Seminário Presbiteriano Ashbel Green Simonton (RJ).
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