“Rogo-te que me mostres a tua glória.” (Êxodo 33.18)
INTRODUÇÃO
O pedido de Moisés ao Senhor é, de certa forma, expressão de um desejo de todos nós. O rogo por ver a glória de Deus é manifestação do anseio de poder contemplá-lo assim como ele é, de conhecê-lo a fundo, de experimentá-lo em plenitude, de entender completamente sua vontade e seu caminho (cf. o pedido anterior, em Ex 33.13: “Agora, pois, se achei graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber neste momento o teu caminho, para que eu te conheça, e ache graça aos teus olhos”). Afinal, fomos criados e somos salvos para a sua comunhão. É natural que o queiramos conhecer e experimentar da maneira mais íntima e profunda.
Este é um desejo que se faz mais compreensível dentro de um contexto crítico. E aquele era de fato o ponto mais crítico da narrativa do livro do Êxodo. Quanto mais crítica a situação, mais intenso o desejo por Deus. Assim com Moisés, assim com cada pessoa de fé. A crise não afasta de Deus, mas aproxima ainda mais dele. Aprofunda o anseio, intensifica a busca, reforça o desejo de conhecimento e de experiência de Deus.
Mas o pedido de Moisés é negado. Ele não fica sem resposta, sem uma experiência de Deus, mas seu anseio não é satisfeito como ele queria. A experiência com Deus é real, mas complexa. É necessária, por isso deve ser ansiada, buscada com todo o ser; é possível, pode ser satisfeita. Mas não exatamente como pensamos. Pois não se trata de uma experiência como as outras. Não é coisa simples, comum, muito menos banal. É tremendamente singular, peculiar, incomparável, difícil de exprimir com palavras. Pois trata-se do encontro com o Absoluto, com o Senhor. O texto de Êxodo 33.12-23 traz ensino sobre essa complexa experiência:
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