O Mistério da Igreja
11 09 2007
A palavra “sacramento” vem do grego misterion, mesmo vocábulo que corresponde ao termo “mistério”, na língua portuguesa. Neste sentido restrito, podemos inferir que os “mistérios” de Cristo – Sacramentos do Batismo e Santa Ceia – foram confiados à Igreja. Tudo isso é bem claro para mim hoje, mas não foi sempre assim.
Ingressei na Igreja aos 14 anos de idade. Até então o meu conhecimento acerca desta Instituição era bastante superficial. Eu achava que a Igreja era o templo, o lugar, e não as pessoas. Somente mais tarde eu percebi que a Igreja tinha um significado amplo e profundo.
Ao ser literalmente “tocado” pelo Amor da Igreja, meu ser foi transformado por um poder misterioso. Eu não entendia muito bem o que estava acontecendo. Disseram-me que o nome dado ao que se passara comigo era “conversão”. Mas este era um termo totalmente estranho a minha linguagem.
Também me disseram que Jesus, através do Espírito Santo, passou a habitar o meu corpo. Mas tudo continuava muito obscuro… as sensações eram agradáveis, mas estranhas… eu sentia, mas não entendia… havia um mistério no ar.
Foi na leitura da Bíblia que eu encontrei as respostas para todas as minhas perguntas. Meus olhos se abriram e o mistério da Igreja me foi revelado. Eu aprendi que a Igreja é cada um de nós; é o Corpo de Cristo que participa da plenitude da natureza divina, porque “[Deus] sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da Igreja. Que é o seu corpo, a plenitude dAquele que cumpre tudo em nós” (Ef 1. 21, 22). Hoje eu entendo porque o apóstolo Paulo dedicou sua vida à Igreja e morreu por ela. Ele a perseguiu até o dia em que literalmente caiu do cavalo e descobriu que ao persegui-la estava perseguindo a Cristo. Ali ele se tornou um prisioneiro de Cristo. Ele descobriu que estava caminhando na “contra-mão” da vontade de Deus. Sua lógica era simples: ao ser confrontado com Alguém infinitamente maior que os poderes temporais – cultura, influência política, superioridade bélica – Paulo renuncia ao seu passado e caminha por uma “nova estrada”, diferente da de Damasco. Se antes ele estava disposto a destruir a Igreja, agora, estava determinado a morrer por Ela.
A Igreja é um feito sobrenatural de Deus, e não apenas uma organização religiosa. Ela tem o poder maravilhoso de atrair para Si pessoas muito diferentes umas das outras.
Eu amo intensamente a Igreja porque Ela me apresentou Jesus Cristo. Eu hei de amá-la e servi-la até o dia em que minhas forças desfalecerem. Eu vivo pela Igreja e morrerei por Ela!
Por Rev. Eurípedes da Conceição
*O autor é Pastor Efetivo da Igreja Presbiteriana da Tijuca, no Rio de Janeiro. É autor do livro “Ensinando Através do Caráter” e Membro Titular da Academia Evangélica de Letras do Brasil, atualmente ocupando a Cadeira número 7, do Patrono Thiago Rodrigues Rocha.

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