Serviço, Obediência e Seguimento
26 09 2007
Sobre o título em epígrafe, que se apresenta sob o esquema de uma tríade referindo-se à vida cristã, muito se deve à reflexão teológica, que concentra em si o primado da Cristologia. Essa tríade vai de encontro às reflexões pseudoteológicas de hoje; não somente reflexões, mas também práticas pastorais e eclesiais que inserem o Cristianismo numa religião de cunho estritamente triunfalista. Um triunfalismo que somente põe sua concentração e interação de forças no alvo de uma vida intocável pelas contingências do mundo.
É preciso perceber os detalhes dessa tríade que é inteiramente querida por Deus em sua Palavra:
SERVIÇO - Está intrínseca e profundamente relacionado com a responsabilidade cristã. Tem a ver com a vocação cristã no coração do mundo. O serviço é testemunha da verdade. Assim, se reflete que, fora de uma tomada da obra do serviço, fora da efetuação determinada que ele indica, o Evangelho não é estritamente nada; é despojado de toda significação e de toda pertinência, bem como de toda a realidade. O serviço é a única atitude legítima do Evangelho. Logo, se pensa verdadeiramente que a fé é ação. Destarte, o serviço é a figura concreta, encarnada, que prende a reivindicação de Deus sobre o mundo. Os cristãos servem com seus dons, dados pelo Espírito Santo, para o desenvolvimento de um novo horizonte epistemológico. Fora desse campo, a fé não é fé; a vida cristã não é vida cristã. Se Jesus apareceu na história como qualificado para o serviço (Fp 2.5-11), os cristãos têm esse compromisso histórico.
OBEDIÊNCIA - A vida cristã tem um destino específico. Na obediência, o cristão é o espelho de Jesus. Sendo assim, o esquema senhorio-obediência, indica que o cristão não é uma possessão de sua própria origem, nem de sua identidade definitiva. A obediência toma lugar na esfera que define a reivindicação de Deus sobre o mundo. A obediência polariza toda a vida cristã. E, para definir a obediência, só pode haver uma premissa fundamental: a fé como obediência. Se a fé é obediência, ela remete a um protótipo: Jesus é por excelência o “obediente”. Com a obediência, a práxis da fé, se abre um novo espaço na história; uma maneira nova de organizar a terra, pois é uma resposta global, em que há uma palavra e uma escuta.
SEGUIMENTO - A referência de Jesus qualifica a existência cristã, mediante a tríade referida: Serviço, Obediência e Seguimento. O seguimento não entende primeiro o reenvio a um modelo “ideal”, mas marca a condição “exposta” do cristão. Essa condição expõe a sua realidade, onde participa do sofrimento e da morte, tal como Cristo. Seguir a Cristo é assumir o signo da cruz e a recusa de um sistema de garantias ideológicas ou religiosas triunfalistas, que se isentam do mundo; que chama em contrapartida uma existência sob o signo da intinerância e do êxodo, isenta de ser irresponsável no mundo que não deve ser abandonado, mas transformado.
Tomando-se justamente as noções de serviço, de obediência e de seguimento, se pode sublinhar que a verdade cristã se inscreve necessariamente no coração do mundo, em toda a sua espessura de caráter humano, no projeto político, cultural e social. Assim deve ser a vida cristã no cotidiano histórico.
Autor: Rev. Nelson Célio de Mesquita Rocha (Doutor em Teologia Sistemática pela Puc-Rj e professor do Seminário Simonton).

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