No próximo domingo, os brasileiros de um modo geral estarão comemorando o dia das mães. Contudo, em que pese à importância da mãe na família cristã, tal festividade tenderá a eclipsar um outro evento que acontecerá na mesma data: o Dia de Pentecoste.
Pentecoste (s) é uma palavra grega que significa cinqüenta dias. No caso específico da tradição judaico-cristã se refere ao número de dias entre o início da Páscoa e a oferta do molho de cevada, que marcava o começo de sua colheita. Visto que esse tempo corresponde a sete semanas, o qüinquagésimo dia era chamado de “Festa das Semanas” (Ex 34.22; Dt 16.10).
As principais festas religiosas de Israel estavam ligadas ao ciclo agrícola na nação. A Festa dos Pães Asmos (Páscoa) ocorria em março ou abril, como celebração da primeira colheita da cevada. Sete semanas depois, ocorria a Festa das Semanas, que celebrava a sega ou ceifa de outras safras de cereais, tais como o trigo.
A partir do período inter-testamental, a Festa de Pentecoste passou a ser considerada como o aniversário da transmissão da Lei, no Sinai (Talmude Babilônico). A Páscoa, especialmente para o partido dos fariseus, constituía um evento que antecedeu e preparou o povo para o recebimento, no Pentecoste, de uma bênção maior, a Lei.
À Vista disso, após a morte, ressurreição e ascensão de Jesus, nada mais apropriado que a vinda do Espírito Santo nesse dia especial. Nasce, pois, no Pentecoste, a Igreja do Senhor, em sua plenitude, o Corpo Vivo de Cristo. Os discípulos e demais seguidores de Jesus receberam poder para testemunhar de Cristo e constituir uma Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, que devem ser os atributos da Igreja Cristã de todos os tempos. A pergunta que fica é: Somos fiéis a essa herança recebida?
Segundo, falemos um pouco sobre o Dia das Mães. A figura da mãe, ao longo dos tempos, sempre foi venerada e lembrada festivamente. Um dos mais antigos registros dessas comemorações teve origem na Grécia Antiga, quando a entrada da primavera era festejada em honra de Rhea, a mãe dos deuses.
Nos tempos modernos, o dia das mães passou a ser efetivamente comemorado a partir da iniciativa de uma mulher metodista americana chamada Anna Jarvis. Em 1914, o presidente Wilson assinou um decreto estabelecendo o dia nacional das mães, enfatizando o papel da mulher em sua família. A partir de então, o dia das mães tem sido comemorado no segundo domingo de maio. Em pouco tempo, dia das mães passou a ser um ótimo negócio para o comércio, para a tristeza da idealizadora Anna Jarvis.
O primeiro Dia das Mães brasileiro foi promovido pela Associação Cristã de Moços de Porto Alegre, no dia 12 de maio de 1918. Ora, o fundador da ACM em nosso País foi o presbiteriano norte-americano Myron Clark. Esse foi, certamente, o motivo que levou a ACM gaúcha a primeiro comemorar o dia das mães no Brasil. Em 1932, o então presidente Getúlio Vargas oficializou a data no segundo domingo de maio, também para o Brasil.
Por Presb. José Roberto da Silva Costanza
Professor de História da Igreja e História da IPB do Seminário Simonton.
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