Seminário Presbiteriano do Rio de Janeiro

Sobre As Células-Tronco

18 07 2008

Confira, no breve artigo abaixo, uma palavra do Prof. José Roberto Costanza sobre o uso de células-tronco embrionárias em pesquisas científicas, um assunto de grande interesse para a Igreja e a teologia, visto que toca à questão da vida humana. Que seja um convite à reflexão e ao debate.

“Como participante de um grupo na Internet formado principalmente por ministros presbiterianos, tenho acompanhado os debates sobre a questão “células-tronco”, que foi alvo de recente avaliação jurídica por parte do STF.

De um modo geral, a liderança atual da Igreja tende ser contra a liberação das pesquisas relativas às células-tronco a partir de embriões que seriam “destruídos”, por decurso de tempo adequado para seu uso em prol da vida, ou seja, em mulheres que têm problemas para engravidar pelos meios naturais. O argumento principal desses colegas é o de que o embrião é um ser completo, com corpo e alma, e, portanto, não passível de manipulação pelos homens. A principal base bíblica aventada está no Evangelho de Lucas (Lc 1.15, 41). Em termos doutrinários, os símbolos de fé presbiterianos são reticentes ou omissos quanto a esta questão, em especial no que se refere à origem da alma.

Grandes teólogos do passado, como Agostinho, se declararam incompetentes para escrever sobre assunto tão complexo. Mais recentemente, o holandês reformado Gerrit C. Berkouwer chama a discussão entre criacionismo e traducianismo de “questão infrutífera”.

Um outro aspecto não menos importante é o referente à distinção entre embrião e feto. A ciência diz que Embrião é o produto da concepção (concepto), do momento da fecundação até 8 semanas de vida embrionária. Feto é o bebê em formação desta época até o fim da gestação.

À vista do exposto, mesmo considerando que, no ventre da mãe, já há um ser humano completo, ou seja, com corpo e alma, poder-se-ia considerar o embrião como esse ser? Ou somente haveria um ser completo a partir da 8ª semana, na condição de feto?

Assim sendo, dependendo do ponto de vista, para alguns teólogos, poderia não haver restrição ao uso do embrião “para o bem comum”. Ademais, as pessoas contrárias ao uso dos embriões “descartáveis” para pesquisas médicas, deveriam, antes de tudo, combater sua descartabilidade, a sua condenação à morte. Indo mais longe: deveriam ser contra todo e qualquer tipo de clínica de fertilidade, que preconize métodos que não os naturais. Ficar na metade, no meu entender, não satisfaz às exigências teológicas mais ortodoxas.

No amor de Cristo, que nos une,

José Roberto Costanza (Th.M)”


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