Seminário Presbiteriano do Rio de Janeiro

Pentecostes e Missão

26 05 2009

O relato de Pentecostes (At 2) é a chave de leitura de Livro de Atos, o eixo em torno do qual gira toda a narrativa. O que vem antes, prepara esse evento; o que vem depois, mostra suas consequências. A intenção de Lucas é introduzir a personagem central do livro – o Espírito Santo, que desce sobre a comunidade dos discípulos (segundo a promessa de Jesus: At 1.8), inaugurando o tempo da missão. Pentecostes é o ponto de partida da atividade testemunhal da Igreja, sob o impulso do Espírito de Deus.

Com o dom do Espírito Santo, a Igreja recebe todas as condições para realizar a tarefa de pregação do Evangelho do Reino de Deus. Torna-se plenamente capaz de fazer isso com sucesso, por causa da presença orientadora do Espírito nela. Tudo no texto fala de que não é mais tempo de esperar, mas de agir. Lucas transmite a idéia de que tudo está pleno: o tempo, o lugar, as pessoas; até a manifestação de Deus é completa: dá-se através de um ver e um ouvir.

Assim é o dom do Espírito Santo: indiscriminado, não seletivo (cf. Joel 2.28s); incondicional, não dependente de ações humanas (esperavam assentados); integral, não parcial (cf. João 3.34b); definitivo, não temporário (não há Igreja sem Espírito Santo – e a Igreja nunca cessa de existir).

A Igreja que vem à existência no dia de Pentecostes já nasce missionária. Jesus dizia: “Recebereis poder… e sereis minhas testemunhas”. E o que Pentecostes nos revela acerca da missão da Igreja?

Em primeiro lugar, o caráter profético da missão. O dom do Espírito Santo leva a um falar. Um falar em outras línguas, que não são estranhas ou desconhecidas, mas inteligíveis. E é isso que impressiona: que cada um dos presentes pôde ouvir a mensagem em seu idioma (vv. 6, 8 e 11). Importa que sejam proclamadas e compreendidas as “grandezas de Deus”.

Em segundo lugar, o direcionamento universal da missão. O Evangelho é para todos (cf. a longa lista de povos, vv. 9-11a). Todo tipo de gente é alcançado, pois Deus ama e quer salvar a todos, não só a alguns. Seu oferecimento de salvação não conhece limites nem barreiras.

Em terceiro lugar, o propósito integrador da missão. Pregar o Evangelho é promover a reconciliação do ser humano com Deus e dos seres humanos entre si. O amor de Deus reúne as pessoas numa só família, onde todos são filhos do único Pai e irmãos uns dos outros. É o fim dos preconceitos e das divisões, para que se viva em respeito e paz.

Não há Igreja onde não há interesse pela missão de salvação de todo ser humano e do ser humano todo. Por isso, a Igreja não pode viver para si mesma, mas tem e existir para o mundo; não voltada para dentro, mas para fora. Por isso, a Igreja não pode ser um lugar de apenas alguns poucos, mas onde toda criatura encontre acolhida e oportunidade para ser ela mesma. Por isso, a Igreja tem de ser um espaço em que as pessoas experimentem a possibilidade de se viver em entendimento e comunhão.

Que o Espírito Santo, que veio de uma vez por todas para ficar na Igreja, fazendo habitação permanente no Corpo de Cristo e em cada coração crente, conte com você, e tenha em você um instrumento sempre disponível para a promoção dos ideais do Reino de Deus.

Rev. Paulo Severino da Silva Filho


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